sábado, 30 de julho de 2011

Tempos de solidão

Acabo de acordar... Como se saísse de dentro de um sonho para um pesadelo. Olho  os raios  de sol por entre as frestas da janela. Radiantes e amarelos como os de minha infância. Aos poucos vão se tornando cinzas e apagados como meus dias atuais.

Ainda ficaram alguns restícios do sonho. 

O Gilberto na escola procurando algo em papeis antigos... eu ajudando... há outros... almas... Luciano... Jurema.

Ônibus que me leva para algum lugar: casa, faculdade ou o porto. Estou próxima ao porto. Talvez na Consulã ou no meu porto imaginário, uma mistura de ferroviária e barcas ,  o canal ao fundo....
Penso em minha mãe e na casa.
Em partes da casa a luz aflora
Estou com a Mariú de carro nas ruas do cenro de porto alegre, subindo uma lomba íngreme,
Há gente nas janelas dospréios,altos como arranha-céus de vinte andares.
Sinto como se tivesse deitada dentro do carro. A subida é íngreme , quase vertical.
...
Em algum momento, sinto-me doente... Entre o sonho e a realidade, estou sufocando.
A gordura me aprisiona.
Vejo meus irmãos... eles estão comigo, mas estou longe.
Meu corpo está presente, minha alma não. Confusão em meus pensamentos.

Acordo.

Acho que acordo, não lembro de ter virado para janela. Olho a luz que se estingue. Meu cinza, meu mundo. Agora real. 
Corro, desesperada por comer algo. Qualquer coisa precisa ser devorada. Restos do almoço, pão, doces, leite condensado e iogurte.
Sorvo sem sentir o sabor. Com o frio do iogurte o dente se desloca causando um pequeno estremecimento de dor... quase desperto, mas continuo.
Volto pra cama aturdida,sem saber direito que estou fazendo angustiada. Ao término de minha comilança inapropriada fica a angústia do não saber porque fiz isso.


Não há paz.

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